

Primeiro pelos meus lábios, depois pela minha vida e depois pelo ato de ser batizado publicamente. Essa é a ordem que tenho como coerente. Batizar quem nunca se tornou cristão é inútil aos meus olhos.
Cristão de verdade passa longe de atos adquiridos por uma cultura cheia de religiosidade, onde se tem um cristo distante, sendo tudo um disfarce de cristianismo para esconder coisas inúteis de qualquer benefício para a alma. Não é essa religiosidade que pode aproximar o ser humano de um Deus que está acima de todas as coisas. O que Deus quer é relacionamento. E, se é isso que tenho vivido, por que não professar a fé?
Muita gente age como se eu estivesse me tornado cristão há pouco tempo. Mas o compromisso com o cristianismo vivo (não o de cultura e religião) há muito tempo se faz presente na minha vida. Um ser humano não passa pelo batismo para se tornar cristão, e sim para mostrar que já é um. E chegou minha hora de cumprir a ordenança e ser batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Muito feliz por ter cumprido!
Se juntar todos os motivos que eu conheço na tentativa de expressar a razão das pessoas ficarem perdidas na vida, tudo seria resumido em um só: a busca pelo entendimento de tudo que é de dentro. Me assusta como coisas tão longe de serem essenciais passam a ter tanto valor para quem perde o sentido de viver.
Certa vez uma pessoa prostrada, sem razão para levantar e incapaz de dar uma volta no quarteirão, respirar e ver que ainda existe vida, ao perceber que estava começando o processo de saída da depressão profunda, foi capaz de pegar o carro e ir à busca de um passado, uma paixão antiga, um relacionamento que não tinha dado certo. Com o objetivo de viver uma noite sem compromisso, foi atrás do mesmo passado que, quando teve fim, talvez tenha sido um dos motivos do início de dor e muitas mágoas.
Quando caído, o ser humano quer se levantar. Entretanto, tão importante quanto se reerguer é saber se o apoio que você segura na hora de se levantar vai te manter de pé quando o próximo vento se fizer presente. Uma escolha é embasar a alma no que é sólido e agradecer a Deus por ter mostrado que a vida não acabou, e a outra escolha é procurar apoio em estacas que foram colocadas na areia - que com certeza não dão segurança contra tempestades. Muita gente insiste em não enxergar que maus tempos voltam, e as estruturas da vida têm que estar fincadas como colunas cravadas em solos firmes.
Quando se tira um sentimento ruim do peito, é preciso ter cuidado com o que se escolhe para cultivar no espaço que antes era ocupado pelo desgosto. Se plantar sementes de árvores vãs, os frutos também serão de inutilidade. Mas sementes de virtude, plantadas e regadas com cuidado num coração de terra tratada, crescem e viram árvores fortes para dar frutos essenciais à vida.