Compreensão é virtude que anda junto do amor. Compreender, bem como amar, é sacrificante na maioria das vezes. Mas ter tamanha habilidade é nada mais que ter a essência da devoção e do respeito reconhecendo a posição do outro na sua vida com probidade. Isso é só para os seres humanos que são grandes na sua humilde. Embora muitas vezes pareça, saber bem-querer e ser benevolente não é, e nunca será, fora das possibilidades, mas demanda entrega - algo que bastante gente tem esquecido.
Os anos vão se passando e a vida, e basta olhar à volta para constatar que as coisas têm se mostrado bastante ressequidas e superficiais. Valores que eram préstimos são tratados agora como se fossem coisa nenhuma. Tem faltado empenho e sobrado muito egoísmo em tudo. É nítido que o interesse próprio exacerbado tem acabado com o que há de essencial nas relações. Será que não enxergam que não existe outra via de fazer crescer e manter qualquer relacionamento saudável senão por algumas trocas como respeito, tolerância, comprometimento, sobriedade e dedicação?
Quando se respeita, simplifica, dedica e compreende, o que é confuso passa a servir de degraus que aproximam das coisas que são do alto. Cada vez mais crescendo, amadurecendo. Busca-se tanta compreensão para si nos outros - e tal busca não é errada -, mas é uma pena que seja a última coisa que a maioria procura ceder.
Por mais que eu veja tanto desamor em toda parte que eu olho, nunca quero deixar de entender que amar é respeito e devoção. Que eu esteja atento e saiba que compreender o riso é fácil, mas compreender lágrimas requer muito mais atenção. E que eu dê sempre espaço para a prática de jogar o egoísmo fora e amar meu semelhante com a mesma intensidade que eu tenho dado amor a mim mesmo. Sempre compreendendo como eu tenho querido ser compreendido.
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