Como foi Estamira...

Com relatos esmerados da vida de uma senhora de pouco mais de 60 anos, que vive e trabalha no Aterro Sanitário do Jardim Gramacho, o documentário de Marcos Prado alcançou minúcias que respeitam ao contraste entre a lucidez e as instabilidades psíquicas de Estamira. Uma mulher com uma vida carregada de brutais dificuldades, vítima de prostituição quando criança pelo próprio avô, casamentos infelizes iniciados na adolescência, extremos maus tratos e vítima de estupros, parece ter encontrado a saída para as dores nos seus ditos delírios, inclusive na eloqüência de renegar uma visão de Deus que antes havia crido.

O documentário destacou não só a dita loucura da personagem, suas lutas e a série de traumas que deram origem a todo seu desequilíbrio, mas também um certo questionamento a respeito de seu tratamento psiquiátrico que é reduzido a um silenciar das ditas alucinações pelo uso de drogas que diminuem a distância entre a lucidez e os devaneios das faculdades mentais. Muito bom.

Nenhum comentário:

Postar um comentário