Como é saber que não é o tempo que cura...

Há os que dizem que o tempo cura. Permita-me discordar. O que o tempo sempre faz é ensinar que na verdade a cura não vem dele, e sua função é nada mais do que mostrar que o cair por terra de mágoas e o fechar das feridas são incumbências do desejo de cura de quem sofre. Lançar os problemas da alma nas mãos do tempo não é o que vai solucioná-los. Machucados têm que ser tratados.

Como foi refletir...

Tantas vezes já pensei ser o homem mais triste do mundo em certos momentos. Como fui egoísta! Por muitas vezes os motivos tinham uma magnitude monstruosa para mim só por causa da minha visão limitada. Fiquei triste porque fui tolo, e não porque tinha motivos suficientes para me fazer entristecer por completo. Aos grãos de areia fiz questão de chamar de enormes pedras. Mas hoje a vida me dá exemplos do que são verdadeiras barreiras empedradas e eu dou graças a Deus por não tê-las no meu caminho. Mas se acaso aparecerem para mim, já sei como nomeá-las diante da capacidade que Deus me dá de vencê-las: grãos de areia. Hoje reflito e percebo que alguns motivos pelos quais eu chorei, não valeram a pena a quantidade de lágrimas vertidas. Bom saber que a vida ensina, bom para quem aprende.

Como é com as expressões idosas...

Conversando com pessoas mais novas, eu percebo que estou ficando velho quando passo a não entender as expressões que elas usam. E mais velho ainda quando me sinto ridículo ao pronunciá-las mentalmente na tentativa de compreender as conotações. Nunca fui de gírias, tampouco de entendê-las (talvez pelo desábito), mas sempre as percebi fazendo parte do cotidiano de muita gente. E mais interessante do que ver as expressões sendo modificadas e caindo em desuso, é conversar com pessoas mais velhas, e encontrar diversão nas pérolas que eles diziam. Impossível lembrar ou ouvir o jeito de falar da geração anterior sem achar graça. Esses dias fiquei pensando no linguajar que vai mudando e vou dividir as boas aqui pra rirmos um pouco.

À beça - bastante

Baranga - desprovida de beleza

Barra limpa - tranquilo/fora de perigo

Belezura - atraente

Boa pinta - elegante, gente boa

Botar pra quebrar - arrasar/arrebentar

Bulhufas - nada

Caixa-prego – muito longe

Cambada - Muita gente

Carácoles – expressão de espanto

Chapa - amigo

Chato de galocha - desagradável

Chorumela - frescura

Dançar - perder/bobear

Dedéu - demais

Estourar a boca do balão - arrasar

Fichinha - muito fácil

Gás - energia

Grilado - preocupado

Mandar brasa - ir em frente

Mundaréu - montante grande

Não tem mosquito - não tem problema

No pó da rabiola - muito cansado

Pangaré - quem se acha inteligente mas é burro.

Pega pra capar - briga

Supimpa - bom

Toró - chuva forte

Tutu - dinheiro

Uva - atraente / sensual


Tem muitas expressões de antigamente que são engraçadas e até cabem numa conversa ou outra nos dias de hoje. Mas tem umas que denunciam a idade de qualquer pessoa. Você que ainda diz coisas do tipo: "tô sem um tutu no bolso", "ela é uma belezura", se atualize por favor. Alguém aqui fala “dedéu”? Não me leve a mal, mas “dedéu” dói os ouvidos, é inaceitável. (risos)

Como foi com o filhote de jacaré...

Veio de Nova Iorque um casal de amigos que resolveram morar no Brasil há uns anos. E, se tem uma coisa que eles gostariam que não existisse no mundo – com exceção de cães – é bicho. Tudo correu bem no grande dia de se mudar para a casa nova. No dia seguinte ao da mudança, o sol raiou e a arrumação continuava. Mas o entardecer foi assustador e engraçado ao mesmo tempo. Enquanto os quartos na parte de cima eram responsabilidade dela, os cômodos de baixo ficavam por conta dele. E o auge da mudança se deu aí. De repente um barulho de porta batendo bruscamente, pisadas fortes e desesperadas de alguém que corre na escada. Era a minha amiga, pálida por completo, usando o pouco ar que tinha p/ gritar: - Oh craaaaap, youngling alligator in my room!!!!! (Tecla SAP: Que bosta, tem filhote de jacaré no meu quarto!!!!!!!). Doideira! Subi correndo sem duvidar que tinha jacaré no quarto. Já encontrei tantos animais esquisitos por morar colado na reserva florestal que nada mais seria estranho. Mas o desespero passou a ser comédia e meu riso ficou descontrolado quando vi que o filhote de jacaré era uma miúda lagartixa na janela do quarto querendo caçar o jantar da noite. Que figura, foi cena de filme. Lembrei disso quando cheguei em casa ontem e resolvi entrar pelos fundos. Vi essa lagartixa imprensada no marco da porta de ferro. Morreu feio, coitada.



Por falar em lagartixas, geralmente elas têm apelidos carinhosos na casa de todo mundo que eu conheço. Na sua casa também existe essa doideira? Quando era mais novo, eu chamava de “Tatá”, e tinha vontade de espantar todas que apareciam na varanda, com pena dos insetos que eram engolidos sem dó (risos). Na casa de uma amiga, elas já têm outro nome, “Zuleica” (mais risos). Na sua casa também é assim, lagartixa tem apelido?